Cremesp concede carteira profissional póstuma a estudante de medicina morto por PM

  • 08/10/2026
(Foto: Reprodução)
Cremesp concede carteira profissional póstuma ao estudante de medicina Marco Aurélio, morto por um policial militar. Montagem/Arquivo pessoal O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entregou, de forma póstuma, a carteira profissional de médico ao estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, que foi morto com um tiro à queima-roupa disparado por um policial militar em novembro de 2024, antes de concluir o curso de Medicina. Marco Aurélio cursava o quinto ano do curso de Medicina, quando foi assassinado aos 22 anos no hotel em que estava hospedado na Vila Mariana, na Zona Sul da capital. Os policiais Bruno Carvalho do Prado e Guilherme Augusto Macedo respondem por homicídio qualificado. (Leia mais abaixo.) A cerimônia aconteceu em uma sessão solene na sede do Cremesp, no Centro de São Paulo, na quarta-feira (7). Sob forte aplausos, a entrega do documento foi realizada pelo presidente do órgão, Ângelo Vattimo, aos pais do jovem, os médicos Júlio César Acosta Navarro e Silvia Mônica Cardenas Prado. Após subir no palco emocionado, Júlio César agradeceu o gesto do Cremesp que classificou como "de ética, humanismo e sensibilidade". "Eu quero dizer para os senhores, e para todos, que esta carteira, para exercer a profissão de médico, não estão entregando ao Marco Aurélio. Estão entregando aos pais, porque Marco Aurélio não poderá exercer aqui a medicina, aqui conosco. Porque Deus e os deuses queriam que ele exerça nas estrelas", disse com a voz embargada. Em dezembro de 2025, a Universidade Anhembi Morumbi, onde o jovem estudava, concedeu um diploma póstumo ao Marco Aurélio. LEIA TAMBÉM: Justiça nega recurso e PMs acusados de matar estudante de medicina em SP vão a júri popular Bombeiros levaram estudante morto por tiro de PM a hospital que sabiam estar com emergência fechada, diz ficha médica PM que matou estudante de medicina em SP deu versões diferentes do crime antes de registrar boletim de ocorrência Pais médicos de Marco Aurélio participam de homenagem póstuma para o filho. Arquivo pessoal Relembre o crime Marco Aurélio foi morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na madrugada de 20 de outubro de 2024, na Vila Mariana. A confusão começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura que passava pela Rua Cubatão e correu para dentro de um hotel, onde estava hospedado com uma amiga. No veículo estavam os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado. Após o tapa no retrovisor, os policiais desceram da viatura e seguiram o estudante até o saguão do hotel. Nas imagens, Guilherme aponta o revólver e grita “você vai tomar”, enquanto tenta puxar o jovem pelo braço. PM que matou estudante de medicina em SP contou versões diferentes do crime A vítima foi levada para o Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. A unidade estava superlotada e sem equipamento de tomografia, segundo a ficha de atendimento médico. No boletim de ocorrência, os PMs afirmaram que o estudante resistiu à abordagem, “entrou em vias de fato com a equipe” e tentou pegar a arma de Bruno — o que, segundo os vídeos, não aconteceu. Apesar dos pedidos de prisão preventiva da família da vítima, os policiais respondem ao crime de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima em liberdade. E No último dia 29, a Justiça determinou que os PMs serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. A data do júri popular ainda não foi definida. Estudante de Medicina Marco Aurélio e o pai Reprodução/Arquivo pessoal Qualificadoras são mantidas De acordo com a nota enviada pela defesa da família de Marco Aurélio, além de decidir pela manutenção da pronúncia, o TJSP manteve as duas qualificadoras atribuídas ao caso: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A assistência de acusação afirma que a manutenção das qualificadoras representa o entendimento, nesta fase do processo, de que existem elementos suficientes para que essas circunstâncias sejam analisadas pelo Tribunal do Júri. A decisão não representa uma condenação dos policiais. A pronúncia apenas determina que o caso seja levado ao julgamento popular, que será responsável por decidir sobre a responsabilidade dos réus.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/10/08/cremesp-concede-carteira-profissional-postuma-a-estudante-de-medicina-morto-por-pm.ghtml


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